Jovens de 21 a 40 anos ocupam cada vez mais o comando de indústrias no Brasil, e as lideranças jovens na indústria começam a redesenhar o perfil da gestão empresarial no país. Segundo o estudo Empreendedorismo Industrial – O perfil dos novos líderes, eles já somam 27,9% dos sócios do setor.
Entre 2022 e 2023, essa faixa etária foi responsável por 8,1% das contratações formais, quase o triplo do índice registrado em empresas sem participação de jovens.
O levantamento foi elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria, em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL). Ele aponta que a nova geração traz mentalidade mais digital, com foco em inovação e sustentabilidade, mesmo em empresas de cultura tradicional.
Por que empresas com sócios jovens crescem mais
Segundo a gerente de carreiras e desenvolvimento empresarial do IEL, Michelle Queiroz, empresas com sócios jovens crescem mais e geram mais empregos. Ela cita fatores como mentalidade arrojada, domínio de tecnologias emergentes, tolerância ao risco e capacidade de adaptação.
“Os jovens líderes trazem energia, questionamento e propósito, enquanto os mais experientes oferecem visão estratégica e estabilidade. Quando bem conduzido, esse equilíbrio resulta em maior capacidade de geração de empregos, transformação cultural e impacto positivo no setor industrial”, destaca.
O estudo também indica que empresas industriais com mais de uma geração no quadro societário crescem três vezes mais.
Sucessão em empresas familiares
Um exemplo é Diana Castro, de 39 anos, coordenadora nacional do Movimento Novos Líderes Industriais e sócia da Hebert Uniformes, empresa de sua família, com 63 anos de história na indústria de confecção da Bahia.
Para ela, assumir a liderança de uma empresa familiar exige maturidade, capacitação e visão estratégica. “Quando a gente fala de empresa familiar, envolve todo um legado que foi construído, uma história de muitas pessoas, impacta a empresa, a comunidade, todo o setor”, afirma.
Diana defende que a sucessão depende da governança. “Não basta escolher alguém por um simples grau de parentesco. É preciso preparar essa pessoa, dar uma autonomia para essa nova geração”, avalia.
Nos próximos anos, mais de 100 mil indústrias brasileiras deverão passar por processos de transição de liderança.
Novos líderes: mudança de perfil
Hoje, quatro gerações convivem nas empresas: Baby Boomers (1945-1964), Geração X (1965-1984), Millenials ou Geração Y (1985-1999) e Geração Z (a partir de 2000).
Há 108 mil indústrias no país com pelo menos um sócio de 61 anos ou mais, o que sinaliza uma transição gradual. Ainda assim, a renovação no setor é mais lenta que em outros segmentos, devido ao perfil técnico e à curva de aprendizado mais longa. Baby Boomers ainda ocupam 21,7% dos cargos de liderança na indústria, acima da média nacional.
“Ao apoiar lideranças jovens e sucedidas em todo o Brasil, o IEL contribui para que a transição deixe de ser uma ruptura e se torne uma alavanca de crescimento e longevidade empresarial no setor industrial”, reforça Michelle Queiroz.
Novos líderes: liderar com propósito
Diana também foi moldada por iniciativas do IEL. Sua empresa integrou a primeira turma do programa Inova Talentos, no qual ela atuou como mentora. Hoje, ela lidera nacionalmente o Movimento Novos Líderes Industriais, que fomenta a troca de experiências entre jovens empresários.
“O IEL foi um catalisador muito importante na minha trajetória. Ele me fez olhar para a empresa e para a indústria como um todo de uma forma mais estratégica”, destaca.
O IEL oferece programas para formar líderes desde o ensino médio, entre eles:
- Projeto de Vida e Carreira
- IEL Carreiras, que desenvolve estagiários com perfil de liderança
- Programa IEL Educação Executiva Global, com capacitações executivas
A agenda inclui ainda fóruns, mentorias e projetos, como a Jornada de Sucessão Empresarial, que auxilia herdeiros e empresários no processo de transição.
Fonte: Brasil 61



