Indústria compra máquinas novas, mas moderniza devagar, diz CNI

Sondagem da CNI mostra que 74% das indústrias compraram máquinas novas em 2025, mas só 9% investiram em robotização.

Indústria compra máquinas novas, mas moderniza devagar, diz CNI

A modernização tecnológica da indústria brasileira segue em ritmo lento, mesmo com a continuidade dos investimentos em máquinas e equipamentos. É o que aponta a Sondagem Especial nº 105, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados referentes a 2025.

74% das empresas compraram máquinas novas

Segundo o levantamento, 74% das empresas industriais adquiriram máquinas e equipamentos novos em 2025. O índice ficou um pouco abaixo do registrado em 2024, quando foi de 77%, mas a preferência por bens de capital novos continua predominante.

A compra de máquinas usadas foi a opção de 18% das empresas no ano passado, ante 16% no ano anterior.

Mecanização lidera, robotização ainda é pequena

Entre as empresas que investiram em 2025, 72% tinham como principal objetivo ampliar a mecanização da produção. Apenas 9% apostaram em robotização, e 5% destinaram recursos à automação por meio de máquinas conectadas em rede, capazes de transmitir e processar dados de forma autônoma.

Para Rafael Sales, especialista em Políticas e Indústria da CNI, os investimentos em equipamentos conectados à internet e com processamento em nuvem ainda são limitados. Ele pondera, porém, que isso não significa ausência de busca por produtividade.

“Mesmo quando uma empresa está buscando uma máquina nova para mecanizar sua produção, ela pode estar tendo ganhos de produtividade”, explica.

Incertezas econômicas são a principal barreira

As incertezas do ambiente macroeconômico seguem como o principal fator de trava aos investimentos. Entre as empresas que compraram máquinas novas, 61% citaram a imprevisibilidade econômica como maior obstáculo. Na sequência aparecem:

  • queda das receitas das empresas (47%);
  • entraves tributários (47%);
  • incertezas relativas a cada setor (46%);
  • falta de mão de obra (43%).

Entre as que adquiriram maquinário usado, as incertezas econômicas foram citadas por 66%. Depois vêm:

  • queda das receitas (55%);
  • entraves tributários (53%);
  • incertezas setoriais (53%);
  • aumento dos custos dos insumos (52%).

Sales afirma que há dificuldade de empresários industriais para contratar e reter profissionais, o que afeta o planejamento dos investimentos. Sobre os entraves tributários, ele diz esperar que diminuam com a reforma tributária.

Grandes empresas avançam mais

O estudo mostra diferenças por porte. Em 2025, 78% das grandes indústrias investiram em máquinas novas, contra 72% das médias e 66% das pequenas.

Na adoção de tecnologias da Indústria 4.0, 7% das grandes que investiram buscavam automatizar o processo produtivo. Nas médias, o índice foi de 4%, e nas pequenas, de 2%.

Origem das máquinas e equipamentos

As grandes empresas foram as únicas a comprar mais equipamentos importados do que nacionais:

  • Grandes indústrias: 40% nacional e 56% estrangeira;
  • Médias indústrias: 52% nacional e 44% estrangeira;
  • Pequenas indústrias: 60% nacional e 32% estrangeira.

Desafio para as políticas públicas

Segundo Sales, os dados indicam que as grandes empresas incorporam tecnologias avançadas com mais rapidez, enquanto as pequenas enfrentam mais dificuldades.

“Fica o debate importante para a formulação de políticas públicas de como fazer com que as pequenas empresas também consigam ter acesso e reduzir esse gap tecnológico”, afirma.

De acordo com o economista, os resultados podem orientar políticas industriais. Para as pequenas, o desafio é ampliar o acesso ao crédito e às tecnologias mais avançadas. As grandes, em estágio mais maduro de modernização, precisam de condições para ampliar a competitividade internacional.

Fonte: Brasil 61

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