A IA generativa na mineração pode reduzir o tempo gasto por geocientistas com a coleta e a organização de dados e acelerar a identificação de depósitos minerais. A avaliação é da Accenture, que investe cerca de US$ 3 bilhões em inteligência artificial generativa e prioriza o setor de mineração.
Menos tempo com dados, mais tempo com análise
Segundo a empresa, os geocientistas costumam gastar até 70% do tempo para identificar, localizar, acessar e compilar dados em um formato utilizável. A tecnologia pode diminuir essa etapa e ajudar a avaliar o potencial de mineralização de uma área com mais eficiência.
A expectativa é reduzir os gastos de exploração em estágio inicial e aumentar a probabilidade de descoberta.
Investimento e estratégia da Accenture
A área de Data & IA será ampliada, com novas soluções setoriais e modelos pré-construídos. A empresa também lança a plataforma AI Navigator for Enterprise e o Center for Advanced AI, voltado a maximizar o valor da IA generativa e de outras formas de inteligência artificial.
O contingente dedicado à área de IA será de 80 mil pessoas no mundo inteiro, por meio de contratações, aquisições e formação própria. A companhia atende as sete maiores mineradoras globais.
Para Julie Sweet, presidente e CEO da Accenture, “existe um interesse sem precedentes em todas as áreas da IA”. A empresa afirma ter mais de 1.450 patentes e pedidos de patentes pendentes em inteligência artificial.
Paul Daugherty, group chief executive da Accenture Tecnologia, afirma que “durante a próxima década a IA será uma megatendência”. Ele diz que a IA generativa já transforma 40% de todas as horas de trabalho.
Aplicações da IA na mineração
No Brasil, Flávio Alves lidera a área de Químicos e Recursos Naturais da Accenture, que inclui a mineração. Ele afirma que a tecnologia é aplicada tanto nas áreas de apoio quanto nas atividades principais do setor. Entre as aplicações citadas estão:
- Exploração mineral, com identificação de potenciais depósitos e modelagem 3D para o planejamento da lavra
- Segurança das operações, com análise de riscos como presença de gás tóxico e instabilidade do solo
- Segurança de barragens de rejeitos, com análise de dados de engenharia estrutural e de sensores
- Manutenção e gestão de ativos, com criação de ordens de manutenção automáticas
- Licenciamento de projetos de Capex, com agilidade na análise de pareceres e documentos de engenharia
- Áreas de apoio, como recursos humanos, jurídico, suprimentos, finanças e controladoria
Alves também cita o uso para controle de qualidade, otimização da extração do minério e novos métodos de beneficiamento.
Qualidade dos dados
Para Alves, vale o conceito de “Garbage in, Garbage out”: se o banco de dados recebe uma informação errada, a IA tende a repeti-la. Por isso, é essencial mapear quais informações são necessárias para cada problema.
Ele descreve o Data Lake como um ambiente que centraliza diferentes fontes de dados. Muitas empresas usam a nuvem para essa estrutura, o que exige atenção à segurança cibernética. Em problemas mais complexos, algumas companhias recorrem à computação quântica para ampliar a capacidade de processamento.
Digitalização e preparação das pessoas
Projetos novos já nascem digitalizados, com gêmeos digitais que permitem simular, por exemplo, o aumento da capacidade de produção ou a mudança no teor do minério. Já as minas antigas, com 30, 40 ou 50 anos, exigem a conversão de informações físicas para o formato digital, um trabalho que Alves compara a “trabalho de formiguinha”.
Sobre a força de trabalho, ele afirma que o setor investe em capacitação de supervisores e operadores. Segundo ele, “não basta ter a informação. É preciso saber trabalhar essa informação”. O setor também se prepara para tecnologias como blockchain, caminhões autônomos e centros de operação remota.
Caso no Brasil
A Accenture aplicou a IA generativa para um cliente na área de exploração mineral em duas frentes. Na primeira, usou dados de satélites e análises de campo para avaliar depósitos. Na segunda, analisou a documentação de um projeto para definir a melhor forma de conduzir a exploração.
Para a empresa, “tivemos um caso com bom nível de assertividade, auxiliando o cliente nessas duas rotas e contribuindo para acelerar a tomada de decisão”.
Fonte: Brasil 61

