O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continuará respondendo a duas investigações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após ter deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos, conforme informações divulgadas nesta terça-feira (27).
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, o parlamentar tem foro privilegiado na Corte, onde tramitam os dois casos.
Caso Willer Tomaz e as bets
Uma das investigações apura o advogado Willer Tomaz, acusado de lavagem de dinheiro ligada a negócios com bets. Flávio também é alvo desse processo.
Segundo as apurações, o nome do senador foi citado por uma secretária de Willer. Ela teria avisado o advogado sobre o cancelamento de uma conta ligada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que é investigada pela Polícia Federal (PF).
Na semana passada, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz. A decisão veio depois de a PF descobrir que o advogado viajou para Miami, nos Estados Unidos, após ser alvo de busca e apreensão em agosto, na Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias.
Inquérito sobre o filme Dark Horse
O senador também é investigado em inquérito que trata dos pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
O caso veio à tona depois que o site The Intercept revelou que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações. A conversa entre os dois ocorreu em novembro do ano passado.
Após a divulgação, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e afirmou que os recursos eram privados. Em julho deste ano, ele foi incluído no inquérito e passou a ser investigado.
Foro privilegiado deve se manter
Flávio não foi eleito presidente da República e mantém o mandato de senador até 1º de fevereiro.
A tendência é que as duas investigações sigam no Supremo mesmo depois do fim do mandato. Pela jurisprudência atual da Corte, a competência do STF para julgar ex-parlamentares permanece quando os crimes estão ligados à função pública.
Saída do país e passaportes cancelados
Nesta terça-feira (27), o investidor e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy publicou nas redes sociais que Flávio teria chegado aos Estados Unidos, em uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A agência Reuters também confirmou a possível fuga, menos de 48 horas após a derrota do senador nas eleições presidenciais.
Na segunda-feira (26), um dia após a derrota, Flávio foi proibido de deixar o Brasil e intimado pela PF a entregar todos os seus passaportes em 24 horas. O prazo terminou na manhã desta terça, os documentos não foram entregues e, por isso, foram cancelados.
Fonte: Agência Brasil



