A inteligência artificial na educação foi o centro da palestra do professor Luciano Meira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no encerramento do CONECTA – Escola do Futuro. O evento, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), aconteceu na quinta-feira (17), em Brasília.
IA como “cisne vermelho”
Meira classificou a IA como um “cisne vermelho”, expressão usada para fenômenos com impacto “profundo e inevitável” nas estruturas sociais. Ele citou, como exemplos, a pandemia de Covid-19 e o surgimento da internet.
Desafios apontados pelo especialista
O professor listou os desafios que considera complexos para a IA na educação:
- Formação docente contínua e estratégias de relacionamento;
- Gestão da implementação;
- Foco na aprendizagem com qualidade e escala;
- Currículos adaptativos;
- Experimentação, pesquisa e compartilhamento de práticas;
- Desafios éticos e sociais;
- Engajamento dos estudantes;
- Metodologia Game Based Learning (GBL) para avaliação, que é o aprendizado baseado em jogos.
Relacionamento e formação de professores
Para Meira, a escola só será transformada se centrar a educação na construção de relacionamentos afetivos e intelectuais entre estudantes e professores. Segundo ele, isso exige rever a formação inicial e contínua dos docentes.
“Formação docente contínua e estratégias de relacionamento é a força prioritária de transformação digital, apoiada por um novo ambiente orquestrado a partir de IA generativa”, avaliou.
Estudo sobre o uso de IA generativa
O professor também mostrou como a IA generativa pode prejudicar a aprendizagem. Ele citou um estudo realizado na Turquia com cerca de mil estudantes, divididos em três grupos semelhantes em demografia e experiência.
Um grupo usou um chat GPT tutor, treinado com as práticas que os alunos deveriam aprender. Outro usou o chat GPT puro, o disponível na internet. O terceiro usou apenas o livro didático. Segundo Meira, nenhum dos grupos usou esses apoios para resolver a prova.
Os estudantes que usaram o chat GPT tutor tiveram desempenho 127% maior do que o grupo do livro didático e 48% maior do que o grupo com o chat GPT puro.
Conhecimento e engajamento
Meira explicou que o estudo chamou de “performance” o uso do instrumento e de “aprendizagem” o resultado da prova, discordando dessas definições. “Conhecimento é uma ‘co-construção’. Não é sequer uma construção, como queriam alguns psicólogos do desenvolvimento. Então, o foco é no desenvolvimento de competências e na produção de sentido”, analisou.
Para o professor, é preciso observar como as pessoas são engajadas, considerando seu prazer e o propósito da experiência. Ele também defendeu interações que promovam autonomia, diálogo e comunidades de aprendizagem.
Sobre o CONECTA – Escola do Futuro
Com transmissão ao vivo pelo YouTube, o evento reuniu educadores, gestores, startups e representantes da indústria para discutir a inovação na educação básica e profissional. O encontro celebrou mais um ano de atuação do Instituto SESI SENAI de Tecnologias Educacionais.
Entre os temas debatidos estiveram:
- O uso ético e pedagógico da IA generativa;
- A formação docente continuada para lidar com novos recursos digitais;
- A necessidade de currículos mais flexíveis, com foco em competências e não apenas em conteúdo;
- A integração entre educação e indústria, preparando os estudantes para os desafios da Indústria 4.0.
Para a coordenadora do Instituto SESI SENAI de Tecnologias Educacionais, Juliana Gavini, o evento foi um espaço de construção coletiva. “O CONECTA – Escola do Futuro foi um momento que reforça e ressalta uma das palavras que a gente mais acredita dentro do instituto, que é a colaboração”, afirmou.
Gavini explicou que o instituto trabalha com sete pilares: a educação presencial, a educação digital, o educador do futuro, o aluno do futuro, a infraestrutura da escola do futuro, o gestor da educação do futuro, o líder da educação do futuro e os processos de gestão para a escola do futuro.
Fonte: Brasil 61



