Aliados e ex-aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) têm se manifestado em favor do resultado das eleições e contra a postura do parlamentar, que se recusou a reconhecer a derrota no segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As reações se intensificaram após a fuga do ex-candidato à Presidência para os Estados Unidos e a divulgação de uma carta em que ele chegou a se autoproclamar presidente eleito, líder do Brasil e da oposição.
Partidos da base reconhecem o resultado
O União Brasil divulgou nota oficial assinada pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, na qual ressalta a legitimidade do resultado eleitoral e defende o respeito à decisão dos eleitores. O documento afirma que “a democracia é, para o partido, um valor inegociável”.
A legenda também declara que “a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura, e o seu resultado deve ser respeitado”.
O MDB também se manifestou sobre a legitimidade do processo. Em publicação nas redes sociais, o partido reafirmou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro e no resultado do pleito realizado no domingo. Parte das lideranças da sigla apoiou Flávio Bolsonaro na campanha.
O próprio PL, partido de Flávio, também tornou público o reconhecimento do resultado que deu a vitória a Lula.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, admitiu que não há provas de fraude eleitoral no segundo turno.
Nomes da direita se posicionam
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se posicionou em favor do resultado das urnas. Em nota divulgada nesta quarta-feira, ele afirmou compreender a indignação do senador, mas destacou que o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, disse Tarcísio.
Até o bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada pelo senador, divulgou nesta quarta-feira (28) uma mensagem em defesa do resultado das urnas. “As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!”, escreveu nas redes sociais.
Críticas à atuação a partir do exterior
O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) também criticou a decisão de Flávio de conduzir a oposição a partir do exterior e afirmou que a iniciativa não traz benefícios ao Brasil. Para ele, o senador tenta reproduzir o modelo de Juan Guaidó, que se apresentou como presidente interino da Venezuela, mas em um contexto diferente, já que o PL continua funcionando normalmente no país.
“Ele optou por não lutar aqui, e a verdade precisa ser dita: quando você acredita em algo, você luta na tua terra. Ele não quis lutar, a nossa terra não era boa o suficiente, ele vai lutar direto da Flórida”, afirmou Renan.
Renan disse não acreditar que a iniciativa represente risco institucional, mas classificou a atuação política no exterior como uma “oposição EAD”. “O Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos”, declarou.
Fonte: Agência Brasil



