Diagnóstico de malária em Manaus chega a 81 unidades de saúde

Semsa amplia testes para malária em 81 unidades de Manaus e prevê chegar a 106 no primeiro semestre de 2027.

Diagnóstico de malária em Manaus chega a 81 unidades de saúde

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), está ampliando o diagnóstico de malária em Manaus. Hoje, 81 unidades municipais das zonas urbana e rural oferecem testes e tratamento da doença, estratégia reforçada desde 2025.

A previsão é chegar a 106 unidades no primeiro semestre de 2027. A meta é que todas as unidades da rede municipal ofereçam o serviço até o final de 2027.

Objetivo é tratar em até 48 horas

A iniciativa faz parte das ações de vigilância e controle da doença e busca facilitar o acesso ao diagnóstico precoce. Com isso, o tratamento pode começar em até 48 horas após os primeiros sintomas.

“É um período crucial para tratar a doença, antes do agravamento dos sintomas”, afirma Viviana Cláudia de Paula Conceição, responsável técnica pelas ações de Vigilância Epidemiológica da Malária da Semsa.

A ampliação só é possível porque o Ministério da Saúde fornece os testes, tanto os rápidos quanto a chamada “gota espessa”.

Por que levar o exame para a área urbana

Segundo Viviana, a infecção ocorre principalmente em áreas rurais, balneários, sítios e áreas de mata, mas as pessoas moram na cidade. Como a incubação pode levar vários dias, elas costumam procurar a unidade mais próxima de casa ao sentir os sintomas.

“Por isso, precisamos oferecer o diagnóstico também na área urbana, para não perder a oportunidade de iniciar o tratamento”, explica.

Onde o exame está disponível

Os exames de malária estão em 81 pontos da capital:

  • 43 unidades distribuídas em todos os distritos de saúde da zona urbana;
  • 38 unidades na zona rural.

Para 2027, o planejamento prevê cobertura integral das unidades dos Distritos de Saúde Norte e Oeste no primeiro semestre. Leste e Sul entram na segunda metade do ano.

“A nossa meta é que todas as unidades ofereçam o teste e que a pessoa com suspeita de malária possa chegar à unidade e fazer o exame imediatamente”, destaca Viviana. A ideia é identificar os casos na atenção primária, antes que se agravem e levem o paciente a uma UPA ou SPA.

A implantação inclui ainda a capacitação das equipes, de profissionais da recepção, enfermagem, medicina, farmácia e gestão.

Cenário epidemiológico

A ampliação ocorre em meio ao aumento dos casos na capital. Até 23 de outubro deste ano, a Vigilância Epidemiológica da Semsa registrou 6.177 casos de malária com local provável de infecção em Manaus.

  • 62 casos em gestantes;
  • 498 em idosos;
  • 702 em crianças.

A maior concentração está no Distrito de Saúde Leste, principalmente nos ramais do Brasileirinho e do Puraquequara. Nessas regiões, a ocupação humana avança sobre áreas próximas à mata e aumenta a exposição ao mosquito.

De acordo com Viviana, a transmissão ocorre sobretudo em áreas rurais e periurbanas, na transição entre a cidade e a floresta. Há registros nas zonas Norte, Leste e Oeste, em locais próximos a áreas de mata e igarapés.

“A gente precisa atuar em duas frentes: no combate ao mosquito e na interrupção da cadeia de transmissão, que acontece por meio do diagnóstico e do tratamento das pessoas infectadas”, ressalta.

Como a doença é transmitida

A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles, conhecidos como “mosquitos-prego”.

Diferentemente do Aedes, o transmissor da malária se desenvolve em ambientes aquáticos associados a áreas naturais. Sua atividade é maior no início da manhã e no fim da tarde.

No Amazonas, a transmissão costuma crescer no verão amazônico, entre junho e setembro, quando mais pessoas frequentam balneários, sítios e outros locais próximos à mata.

Sintomas e prevenção

Os principais sintomas são:

  • febre;
  • calafrios;
  • dor de cabeça;
  • dores no corpo;
  • fraqueza;
  • náuseas e vômitos.

Nem sempre todos os sinais aparecem ao mesmo tempo, o que pode dificultar a identificação. A Semsa orienta quem tiver febre ou outros sintomas, principalmente após visitar áreas rurais, balneários, sítios ou matas, a procurar uma unidade que faça o diagnóstico.

O exame pode ser solicitado direto na recepção, sem consulta médica prévia. Se o resultado for positivo, o paciente é encaminhado para avaliação e começa o tratamento, oferecido gratuitamente pelo SUS.

A secretaria também recomenda medidas individuais de proteção, como repelentes, roupas de mangas compridas e calças, além de evitar a exposição aos mosquitos nos horários de maior atividade.

Exame no pré-natal

A Semsa incluiu o exame de malária na rotina do pré-natal, mesmo para gestantes sem sintomas. A medida busca identificar infecções assintomáticas e reduzir o risco de complicações na gravidez.

“A pessoa que esteve em uma área de transmissão, mesmo que tenha sido há algumas semanas, e começa a apresentar febre, precisa fazer o exame”, orienta Viviana. “Quanto mais cedo identificarmos a doença, maiores são as possibilidades de evitar complicações e interromper a transmissão.”

Serviço

A lista das unidades municipais que oferecem diagnóstico e tratamento da malária, com endereços e horários, está no site da Semsa: manaus.am.gov.br/semsa/unidades/malaria.

Fonte: Prefeitura de Manaus

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