A indústria 4.0 deve chegar a mais de 2,6 mil micro, pequenas e médias empresas por meio de 91 projetos de digitalização industrial. As iniciativas contam com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e foram selecionadas pela chamada B+P Smart Factory BNDES/2025.
A chamada vai destinar R$ 45,3 milhões em recursos não reembolsáveis para soluções que integram automação, dados e inteligência artificial, com o objetivo de tornar as fábricas mais eficientes e sustentáveis.
Como funciona o B+P Smart Factory
O programa oferece apoio técnico e financiamento de até 70% do valor dos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). As propostas são elaboradas com o suporte dos Institutos de Inovação e Tecnologia do SENAI, por meio da Plataforma Inovação para a Indústria.
Esta edição registrou recorde de investimento e de propostas submetidas. Dos 124 projetos enviados, 91 foram contemplados.
Estados com mais projetos aprovados
- Ceará: 46 projetos
- Rio de Janeiro: 8 projetos
- Goiás: 7 projetos
- São Paulo: 7 projetos
- Distrito Federal: 6 projetos
O que é uma smart factory
As “fábricas inteligentes” usam tecnologias digitais avançadas, como sensores, robôs, inteligência artificial, internet das coisas e análise de dados, para automatizar processos e tomar decisões em tempo real.
Segundo o material divulgado, essas ferramentas ajudam a reduzir custos, aumentar a produtividade e otimizar o uso de recursos, além de deixar a produção mais flexível e adaptada à demanda do mercado.
Foco nas empresas de menor porte
O SENAI criou o B+P Smart Factory para suprir uma carência do mercado: tecnologias de transformação digital pensadas para empresas menores, que formam a maior parte do setor.
“Verificamos que muitos fornecedores de soluções digitais de indústria 4.0 visam as grandes empresas […]. No entanto, a grande maioria das empresas no país é micro, pequena e média”, explica o especialista em desenvolvimento industrial do SENAI, Gabriel Vargas.
Desde o início, o programa teve chamadas com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e, mais recentemente, do BNDES. Ao todo, ultrapassa R$ 110 milhões para desenvolver e validar soluções de transformação digital.
Caso de sucesso na logística
A Advantag, de Cotia (SP), especializada em RFID (identificação por radiofrequência), foi contemplada em 2024. De acordo com o CEO, Rodrigo Almeida, a participação permitiu desenvolver e testar a tecnologia Log ADV 4.0.
A solução digitaliza e automatiza operações logísticas, do recebimento à expedição, reduzindo erros operacionais, ampliando o controle das mercadorias e diminuindo o tempo gasto com inventário.
“O SENAI me ajudou no desenvolvimento da parte de software. O time do SENAI tem uma capacidade técnica absurda”, afirma Almeida. Segundo ele, o SENAI também apresentou indústrias para validação da tecnologia, que hoje são clientes, e ajudou a criar um plano de negócios voltado a vendas.
Brasil Mais Produtivo
O Smart Factory integra o programa Brasil Mais Produtivo, que busca aumentar a competitividade de pequenas e médias empresas por meio da transformação digital. Até 2027, a expectativa é desenvolver mais de 360 projetos de inovação, beneficiando 8,4 mil indústrias.
O programa é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com SENAI, Sebrae, ABDI, Embrapii, Finep e BNDES.
Fonte: Brasil 61



