A venda de combustível em galões, garrafas e outros recipientes portáteis está suspensa em todo o Amazonas, informou o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-AM). A restrição vale para gasolina, etanol e óleo diesel e tem como objetivo combater o uso desses produtos para provocar ou ampliar incêndios florestais.
A medida cumpre a Recomendação nº 002/2026 do Ministério Público Federal (MPF) e o Decreto Estadual nº 55.964, assinado pelo governador Roberto Cidade e publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) em 26 de outubro. Segundo o MPF, a recomendação vale enquanto durar a crise das queimadas.
Como fica o abastecimento
Com a mudança, o abastecimento deve ser feito diretamente nos tanques de veículos, embarcações, máquinas e equipamentos levados aos postos, incluindo os flutuantes.
Exceções à regra
A recomendação prevê exceções para os seguintes casos:
- serviços essenciais;
- moradores de comunidades sem acesso por estrada ou sem postos de combustíveis;
- imóveis rurais cadastrados que precisem de diesel para máquinas agrícolas e geradores.
Nessas situações, a venda será controlada, com identificação do comprador, registro da finalidade e do volume adquirido, uso de recipientes certificados e limite diário, conforme a situação.
Por que a venda foi restringida
De acordo com o MPF, a venda irrestrita e sem identificação facilita o transporte do produto até áreas de vegetação, margens de rios, várzeas e assentamentos sem acesso rodoviário. Isso dificulta a fiscalização e favorece a ação de incendiários.
Focos de calor disparam
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados no documento mostram que o Amazonas registrou 3.726 focos de calor em setembro de 2026, alta de 295,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Nos primeiros 13 dias de outubro, foram 1.608 focos, número superior ao de todo o mês de outubro do ano anterior.
Fumaça e saúde pública
Em 17 de outubro, a Defesa Civil do Amazonas emitiu alerta de risco severo para a qualidade do ar. Naquele dia, Manaus chegou a 657 pontos no índice da plataforma IQAir, classificação considerada perigosa. Urucurituba, Maués e Autazes registraram índices ainda piores.
Na mesma data, a baixa visibilidade impediu a decolagem das aeronaves usadas pelas equipes federais nos dois aeroportos de Manaus.
Medidas já adotadas
O governo estadual já havia proibido o uso do fogo em todo o Amazonas por 120 dias e decretado situação de emergência em 36 municípios, reconhecida pela União.
O documento menciona ainda a avaliação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima de que os incêndios têm origem humana e intencional, além do reforço das investigações sobre possível atuação coordenada de incendiários.
Fonte: Agência Amazonas de Notícias
