A Carreta Digital formou 60 pessoas trans e travestis em Recife (PE), na primeira turma do projeto voltada a esse público. Os dois cursos de capacitação em tecnologia foram realizados pelo Ministério das Comunicações (MCOM) no Compaz Ariano Suassuna.
O projeto itinerante é executado pela Rede Brasileira de Certificação, Pesquisa e Inovação (RBCIP) e busca ampliar o acesso à formação profissional entre estudantes de baixa renda. A edição teve parceria da organização Pajubá Tech.
Cursos ofertados em Recife
Os participantes receberam certificação profissional em duas áreas:
- Manutenção de Celulares: diagnóstico técnico, substituição de componentes e manutenção preventiva de smartphones;
- Montagem de Computadores de Alto Desempenho (PC Gamer): escolha de peças, análise de compatibilidade, montagem completa e testes de desempenho.
As atividades práticas foram feitas no Espaço Maker. Lá, os alunos montaram equipamentos, executaram testes de hardware e aplicaram procedimentos de manutenção em dispositivos móveis.
Inclusão digital e produtiva
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, visitou a unidade móvel durante os cursos. Ele afirmou que “a tecnologia pode ser uma ferramenta concreta de inclusão produtiva” e que a oportunidade representa “qualificação para um público que ainda enfrenta barreiras no mercado de trabalho”.
Moradora de São Lourenço da Mata (PE), Flora Emanuella, travesti de 20 anos, foi a Recife para participar do programa. Ela diz que o treinamento “caiu como uma luva”, já que pretende montar o próprio computador.
“Entrei no curso com o objetivo de agregar o meu conhecimento, mas às vezes penso que gostaria de ter uma oportunidade de trabalho nessa área. Sei que muitas pessoas trans, como eu, sentem essa vontade”, relata.
Para ela, a iniciativa é relevante: “Pessoas trans sofrem muita marginalização da sociedade, e estar nesse projeto, trazendo informações sobre novas tecnologias, é muito importante para pessoas como a gente.”
Como funciona a Carreta Digital
A Carreta Digital está em Recife desde dezembro de 2025. Segundo o MCOM, após mais de um ano de atuação nacional, o projeto já certificou mais de 11 mil alunos em seis estados.
Entre as áreas de capacitação oferecidas estão:
- Montagem e Configuração de Computadores de Alto Desempenho (PC Gamer);
- Manutenção de Celulares;
- Robótica;
- Programação em Python;
- Desenvolvimento de Jogos.
O Espaço Maker, ambiente imersivo do programa, permite aprender na prática. Instalado em um caminhão que percorre o país, leva aulas presenciais a comunidades com pouco ou nenhum acesso a recursos educacionais.
Fonte: Brasil 61



